A primavera chegou com a corda toda.
Ventos fortes, muita chuva, frio…
Mas as plantas estão amando e minhas buganvílias, então… Todas floridas. Flores brancas, rosas, vermelhas…Não me canso de ir lá e sorrir para elas.
Se elas sorriem para mim? Você deve estar perguntando.
Nem precisam. Quer sorriso melhor do que essas lindas flores?
Bem, sem me lembrar do frio, mas vendo a chuva fininha caindo, saí de casa sem agasalho.
O vento pegou pesado. A sombrinha cutuca marido não sabia se ia para um lado, ou para o outro, se dobrava, ou se me carregava. Não conseguia dobrar, porque é do tipo “cutuca-marido”. Então, saia me puxando.
Todas as pessoas que eu via pela rua, estavam na mesma situação. Aflitas com a sombrinha que, em vez de ajudar, atrapalhava, porque, para segurá-la, às vezes, a pessoa acabava se molhando toda.
Num dado momento, comecei a imaginar coisas. Vi-me sendo levada ao ar pela sombrinha, voando um palmo acima do chão, depois, um pouco mais, as pessoas olhando, olhando, e eu subindo, até passar por sobre prédios, assustando moradores que estavam à janela.
Senti-me como aqueles parapentistas que passam voando e eu fico sempre a olhar.
De repente, estava rindo como doida, pela rua, e, coincidência, encontrei algumas amigas, e elas começaram a rir, talvez pela minha cara, e, também, pela luta com a sombrinha.
Eu aproveitei e disse, rindo, Cuidado! Daqui a pouco vocês estarão todas voando. Ainda bem que têm um paraquedas…
Elas riram, foram-se, e eu voltei para casa imaginando a cena, que já vi em diversos desenhos e figurinhas, do Pequeno Príncipe voando de volta para seu Planeta.
Cheguei, corri para a varanda, para rever as minhas flores.
Maria Francisca – setembro de 2025.