NADA É PERFEITO! - Maria Francisca

 1 de agosto de 2025 

No tempo glamuroso das misses, anos 70, as candidatas eram submetidas a diversas perguntas pelos jurados, e, e quando questionadas sobre leitura ou livros sempre citavam “O Pequeno Príncipe”. Se o leram, não sei.

Apesar de assistir sempre às transmissões desses eventos pela tv, torcendo pelas nossas candidatas, eu tinha muita implicância com os concursos de beleza. Aquele olhar lançado em cada corpo, medido do início ao fim, como se fosse uma mercadoria à venda, me incomodava muito.

Hoje, não fazem tanto sucesso como outrora, mas as moças e os moços são medidos para a carreira de modelo. Não mudou muito. Mas cada um sabe de si.

Voltando ao Pequeno Príncipe, eu sempre gostei de Saint-Exupéry. Tenho diversos livros dele, mas “O Pequeno Príncipe” foi o que me encantou, em face das belas e singelas lições de vida.

Já citei algumas vezes os diálogos da raposa com o príncipe.  Hoje, quero lembrar um deles:

“Começo a compreender – disse o Pequeno Príncipe.  Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…

É possível – disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra…Oh! não foi na Terra – disse o principezinho. A raposa pareceu intrigada: Num outro planeta? Sim.

Há caçadores nesse outro planeta? Não. Que bom!

E galinhas? Também não

Nada é perfeito – suspirou a raposa.”

Este “Nada é perfeito”, desde sempre, é lembrado por mim.

Hoje pensava nisso, por ocorrências prosaicas.

Depois que entreguei a espada, a couraça e troquei a caneta, como já disse em poemas, ou seja, sem a carga do cargo, aproveitei a minha própria singeleza e passei a usar sandálias baixas, ditas confortáveis. Gosto muito, e não pretendo deixar esse costume. Vou aonde desejo, caminho pelas ruas, vou a supermercado, sempre com minhas lindas sandalinhas.

Depois, comprei umas meias, que encontrei na internet, bonitas, bem finas e confortáveis. Para uso com botas e tênis, nada melhor. Pena que são muito frágeis e rasgam com facilidade. Começaram a aparecer buraquinhos nos pés.  Mas achei normal, por serem muito finas.

Feliz com minhas meias e minha sandália, observei que meu calcanhar começou a doer. Vi que estava muito seco e rachando. E, para completar, descobri um calo no dedo mindinho do pé esquerdo. Motivo? Fui tentar descobrir.

Conclusão: As meias finas não estavam protegendo meu calcanhar… Ajudadas pela sandália baixa, “brindaram-me” com um calo duro no pé. Em suma, eram culpadas pelo calo e pelo calcanhar dolorido.

Providências urgentes: Creme hidratante nos pés e removedor de calos, para atenuar os estragos.

Por isso, hoje, na hora da caminhada, tive que abandonar as minhas lindas meias, e usar outras mais grossas, para proteger meu pé. E, quanto à sandália, o jeito é procurar uma substituta menos “agressiva”, não sem antes reclamar:

Nada é perfeito!

Maria Francisca – julho de 2025.

 

 

   Crônicas | Comente »   
COMENTE:

Responder


Maria Francisca Lacerda
Poeta e escritora.
Espírito Santo - Brasil.


Receba nossas novidades:

Arquivos por mês: